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O que é DICOM e por que o exame de imagem precisa dele

DICOM é o padrão em que o equipamento grava a imagem diagnóstica. O que ele guarda, por que JPEG não substitui e o que isso muda na guarda do exame.

DICOM é o padrão em que aparelhos de radiologia, tomografia, ressonância e ultrassom gravam a imagem diagnóstica junto com os dados do exame. Ele existe porque uma imagem clínica carrega muito mais informação do que uma foto. É esse formato que sustenta a revisão do exame anos depois com a mesma fidelidade do dia em que foi feito.

Quem administra um serviço de imagem convive com o formato todos os dias, mesmo sem abrir a sigla. Ele aparece no nome do arquivo gravado na mídia entregue ao paciente, na pasta que a equipe técnica organiza por data e no visualizador instalado na estação de laudo.

Vale entender o que ele é. Quase toda decisão sobre guarda de exame e sobre entrega de resultado depende dessa resposta.

O que a sigla significa

DICOM é a abreviação de Digital Imaging and Communications in Medicine. É um padrão técnico mantido por um organismo de normalização da indústria de equipamentos médicos, em desenvolvimento desde a década de 1980. Nasceu de um problema concreto: cada fabricante gravava imagem no seu próprio formato, e um exame feito em um aparelho não abria no computador ligado a outro.

O padrão define duas coisas ao mesmo tempo. A primeira é o formato do arquivo. A segunda é o protocolo de comunicação em rede entre o aparelho, a estação de laudo e o servidor que arquiva o estudo. É por isso que um serviço de imagem fala em enviar o exame para o arquivo, e não apenas em salvá-lo em uma pasta.

O que vai dentro do arquivo

Um arquivo DICOM tem duas camadas. Uma é a imagem. A outra é um conjunto de campos identificados por códigos, o cabeçalho, que descreve tudo o que cerca aquela imagem.

Estão no cabeçalho o nome do paciente, a data de nascimento, o identificador atribuído pelo serviço, a data e a hora da aquisição, o equipamento usado, o tipo de exame, a região do corpo, a espessura do corte, a posição do paciente na mesa e os parâmetros técnicos aplicados. Em tomografia e ressonância, também a orientação espacial de cada corte em relação aos demais.

Essa segunda camada é o que transforma um conjunto de imagens em um exame. Sem ela, quinhentos cortes de uma tomografia são quinhentas figuras em cinza, sem ordem, sem escala e sem identificação de quem foi examinado.

Estudo, série e instância

O padrão organiza o material em três níveis. Vale conhecê-los, porque toda busca dentro de um sistema de imagem usa essa hierarquia.

  1. Estudo. O exame solicitado, com identificador único. Uma tomografia de abdome é um estudo.
  2. Série. Cada aquisição dentro do estudo. A mesma tomografia pode ter uma série sem contraste e outra com contraste.
  3. Instância. Cada imagem individual: o corte, o quadro, a projeção.

Uma radiografia de tórax costuma render duas instâncias. Uma tomografia com reconstruções passa facilmente de mil. O número explica por que o volume de armazenamento em imagem cresce em ordem de grandeza diferente da de qualquer outro documento do serviço.

Por que uma imagem comum não substitui

A pergunta aparece com frequência na área técnica: se a tela mostra a imagem, por que não guardar tudo em JPEG? Três diferenças respondem.

Profundidade de tons. Uma imagem comum de tela guarda 256 níveis de cinza. Um equipamento de tomografia registra milhares de níveis, e a distinção entre um tecido e outro pode estar em poucos deles. A conversão para 256 níveis descarta informação de forma irreversível.

Janelamento. O arquivo original permite ao profissional escolher qual faixa de tons quer ver na tela. Uma imagem já convertida entrega uma leitura fixa, decidida por quem converteu.

Identificação. O JPEG não carrega o cabeçalho. Nome do paciente, data e parâmetros da aquisição passam a depender do nome do arquivo e da pasta em que ele foi salvo. Para um documento que precisa ser recuperado íntegro daqui a muitos anos, é uma dependência frágil.

Janelamento: o mesmo corte, várias leituras

Janela é a faixa de valores que o visualizador mapeia para a escala de cinza do monitor. Como o arquivo guarda muito mais tons do que a tela exibe, o profissional escolhe qual faixa quer enxergar em cada momento.

Em uma tomografia de tórax, a mesma aquisição é lida em janela de pulmão, em janela de mediastino e em janela óssea. Não são três exames diferentes. É um arquivo, lido três vezes com parâmetros distintos. Uma imagem gerada apenas em janela de pulmão não vai mostrar a fratura de costela que aparece na janela óssea.

Daí a importância do ajuste de janela e contraste no visualizador. Uma tela que só exibe a imagem já convertida entrega uma leitura, quando o exame comporta várias.

Onde o formato entra na rotina

O caminho de um exame dentro do serviço tem cinco etapas, e o formato tem papel diferente em cada uma.

  1. O aparelho grava o estudo já no padrão, com o cabeçalho preenchido a partir do agendamento.
  2. O estudo é enviado ao arquivo do serviço pela rede, sem cópia manual de uma estação para outra.
  3. O profissional abre o estudo, ajusta a janela conforme a região a avaliar e produz o laudo.
  4. O laudo é vinculado ao estudo, para que um não seja recuperado sem o outro.
  5. O resultado chega ao paciente. Aqui o papel do formato técnico muda, e a seção adiante trata disso.

A Resolução CFM nº 1.821/2007 fixa o prazo mínimo de guarda dos prontuários e aprova as normas técnicas para digitalização e uso de sistemas informatizados. A Lei nº 13.787/2018 disciplina a digitalização e a guarda de prontuário em meio eletrônico. As duas tratam de integridade: o documento recuperado precisa ser o mesmo que foi arquivado.

Em imagem, isso significa preservar o arquivo original com o cabeçalho intacto durante todo o prazo. Uma cópia convertida serve à consulta rápida. Ela não substitui o original em uma revisão clínica, em uma segunda opinião ou em uma demanda judicial anos depois.

A leitura prática é direta. O serviço guarda o DICOM porque a norma exige integridade, e mantém também uma versão de leitura porque a rotina exige velocidade. São dois papéis distintos, e um sistema de imagem trata os dois.

Comparativo das abordagens de arquivamento

Critério Mídia gravada e entregue ao paciente Pasta em servidor do serviço Arquivo em DICOM com camada de leitura
Original preservado Fora do serviço No servidor No arquivo de longo prazo
Cabeçalho consultável Só com visualizador Só com visualizador Na busca do sistema
Ajuste de janela e contraste Depende do computador do paciente Na estação de laudo No navegador
Segunda via Nova gravação Busca manual e cópia Pelo histórico do paciente
Localizar exame antigo Depende da mídia Convenção de nome de pasta Por paciente, data e tipo
Registro de quem acessou Não existe Por operação de arquivo Por exame, usuário e data
Guarda pelo prazo legal Não resolve Depende da rotina de cópia Política declarada

A primeira coluna é o arranjo que mais parece resolvido e menos resolve. A mídia sai do serviço com o arquivo técnico, e a obrigação de guarda continua com quem atendeu o paciente.

O que o paciente precisa receber

Um ponto que gera dúvida na recepção: no atendimento comum, o paciente não precisa do arquivo técnico. Ele precisa da imagem em formato de leitura e do laudo, que é o documento com o parecer do profissional.

O DICOM interessa a quem vai reavaliar o exame em outro serviço, com visualizador próprio. A entrega costuma acontecer sob solicitação, pelo canal do serviço, com identificação de quem pediu e registro do atendimento.

Manter o arquivo técnico fora do portal reduz a superfície de exposição de um dado que a Lei nº 13.709/2018 classifica como pessoal sensível no Art. 11. E não tira do paciente nada do que ele usa no dia a dia.

O que a nossa solução cobre

A SiteIncrível desenvolve software de gestão desde 2012 e atende hospitais, santas casas, clínicas de diagnóstico por imagem, laboratórios e secretarias de Saúde, com atendimento remoto em todo o Brasil.

A Gestão de Exames de Imagem faz o arquivamento em DICOM com guarda de longo prazo pelo período exigido em norma, a visualização no navegador com ajuste de janela e contraste, o prontuário cronológico por paciente, a gestão de laudos em PDF vinculados ao exame, o portal do paciente com login próprio e aviso de resultado, os perfis de acesso com trilha de auditoria, a criptografia em trânsito e em repouso com servidores no Brasil e os relatórios por período em CSV e PDF.

Para a obrigação legal por trás da guarda, veja guarda de exames e prontuário. Para os critérios de comparação, veja melhores sistemas de gestão de exames de imagem. Os perfis de serviço que atendemos estão em para quem atendemos.

Para avaliar como o volume de estudos do seu serviço se comporta nesse modelo, entre em contato.

Dúvidas frequentes

Perguntas sobre este assunto

O que significa a sigla DICOM?

DICOM é a abreviação de Digital Imaging and Communications in Medicine. É o padrão técnico da indústria de equipamentos médicos que define tanto o formato do arquivo de imagem diagnóstica quanto o protocolo pelo qual esse arquivo trafega entre aparelho, estação de laudo e arquivo do serviço.

Por que não guardar o exame em JPEG?

Uma imagem comum de tela guarda 256 níveis de cinza, enquanto o equipamento registra milhares. A conversão descarta informação de forma irreversível e elimina o cabeçalho com os dados do paciente e da aquisição. O JPEG serve para consulta rápida, não para o registro que precisa ser preservado pelo prazo legal.

O que é janelamento em um exame de imagem?

Janelamento é a escolha da faixa de tons que o visualizador mapeia para a escala de cinza da tela. A mesma tomografia de tórax é lida em janela de pulmão, de mediastino e óssea, com achados diferentes em cada uma. Por isso o ajuste de janela e contraste na tela importa na avaliação.

O paciente precisa receber o arquivo DICOM?

No atendimento comum, não. O paciente precisa da imagem em formato de leitura e do laudo assinado pelo profissional. O arquivo técnico interessa a quem vai reavaliar o exame em outro serviço, e a entrega dele costuma ser feita sob solicitação, pelo canal do serviço, com identificação de quem pediu.

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