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Chamado recorrente: registrar a causa, não a solução

Como identificar recorrência por categoria, unidade e equipamento, e transformar o padrão em decisão de troca, capacitação ou ajuste de processo.

Todo chamado tem uma solução e uma causa, e o sistema costuma registrar só a primeira. A solução restabelece o serviço para quem abriu; a causa explica por que ele parou. Enquanto só a solução for registrada, o mesmo chamado volta com outro número.

A equipe técnica de um órgão atende unidades com necessidades distintas, e a definição de prioridade organiza o que é urgente diante do que é rotineiro. O atendimento diário consome a agenda, e a recorrência é percebida como sensação antes de aparecer como número.

Indicadores de atendimento sustentam a justificativa de orçamento e de quadro da área de tecnologia. A recorrência registrada é o indicador que transforma essa justificativa em caso concreto.

Como a recorrência aparece nos dados

Três agrupamentos, aplicados sobre os chamados encerrados de um período.

Por categoria. A mesma categoria com volume acima do padrão indica um problema de origem única ou uma expectativa mal definida no catálogo de serviços.

Por unidade. A mesma unidade concentrando chamados de tipos variados costuma indicar infraestrutura local, e não uso.

Por equipamento ou sistema. O mesmo ativo aparecendo em chamados sucessivos é o caso mais direto, e o que menos depende de interpretação.

O cruzamento dos três é o que separa os casos. Uma categoria com volume alto distribuída entre todas as unidades pede resposta diferente da mesma categoria concentrada em duas.

O campo que falta na maioria dos registros

Um chamado bem encerrado responde a três perguntas, e a terceira raramente tem campo próprio.

  1. O que foi solicitado. Vem da abertura.
  2. O que foi feito. A solução aplicada, escrita para quem vier depois.
  3. Por que aconteceu. A causa identificada, ou a indicação explícita de que não foi possível identificar.

O terceiro campo precisa aceitar a resposta honesta. Atendimento sob pressão nem sempre permite investigar, e forçar o preenchimento produz causa inventada, que é pior do que campo vazio. O que resolve é a opção “não investigada”, que ao aparecer com frequência numa categoria já é uma informação.

Comparativo das formas de tratar a repetição

Critério Cada chamado encerrado isoladamente Anotação livre no encerramento Causa registrada e base de conhecimento
Reconhecer o padrão Depende da memória do atendente Depende de leitura manual Agrupamento no relatório
Quem consegue reconhecer Quem atendeu os anteriores Quem lê os anteriores Qualquer atendente
Tempo de atendimento repetido Igual todas as vezes Menor com sorte Menor com procedimento pronto
Sustenta pedido de troca Não Frágil Histórico por equipamento
Efeito na fila Volume constante Volume constante Queda na categoria tratada
Custo de manter Nenhum Baixo Um campo e uma revisão periódica

A coluna do meio é a mais comum. A anotação existe, é útil para quem a escreveu e não é encontrável por quem não sabe que ela existe.

Da causa à decisão

Identificada a causa, três caminhos cobrem a maior parte dos casos, e cada um tem um custo bem diferente.

Ajuste de processo. Uma etapa mal definida no fluxo da unidade produz chamados que não são falha técnica. Custa uma conversa com a chefia da unidade e uma orientação escrita.

Capacitação da equipe local. Chamados repetidos sobre o mesmo procedimento indicam que a orientação não chegou ou não ficou disponível. Custa uma sessão curta e um registro na base de conhecimento acessível ao setor.

Substituição ou contratação. Equipamento no fim da vida útil ou serviço com capacidade insuficiente. É o caminho que exige orçamento e o único que depende de histórico acumulado para ser aprovado.

A ordem importa. Pedir substituição antes de descartar as duas primeiras hipóteses enfraquece o pedido quando ele for realmente necessário.

O histórico que sustenta o pedido de orçamento

Um pedido de substituição de equipamento sustentado tem quatro elementos, todos extraíveis do próprio sistema de chamados.

A quantidade de chamados vinculados àquele ativo no período. O tempo total de atendimento consumido por eles. As unidades e os serviços afetados a cada ocorrência. E o que já foi tentado, com o resultado de cada tentativa.

Esses quatro elementos convertem uma impressão da equipe técnica em um caso que o gestor consegue defender diante do setor de compras e da prestação de contas.

O efeito no atendimento ao público

A recorrência tratada devolve tempo à equipe técnica, e o tempo devolvido aparece na fila dos demais chamados.

Existe um segundo efeito, menos visível e mais direto. Chamados recorrentes se concentram com frequência nos pontos de atendimento ao público, que são os que têm mais uso e mais desgaste. A impressora da recepção, o computador do balcão, o leitor de documento do posto de saúde.

Cada ocorrência nesses pontos é um munícipe esperando ou voltando outro dia. Tratar a causa nesses ativos primeiro é o critério de prioridade que mais muda a experiência de quem procura o serviço.

A revisão periódica

Uma reunião curta por trimestre, com três relatórios prontos.

As cinco categorias de maior volume no período, comparadas com o trimestre anterior. Os equipamentos com mais de três chamados no período. E as categorias com maior proporção de causa não investigada.

O terceiro relatório é o que costuma surpreender. Ele mostra onde a equipe atende sem tempo de olhar, e essa informação vale tanto quanto as causas já identificadas.

Como tratamos isso

A Central de Chamados mantém a base de conhecimento interna com as soluções aplicadas em problemas recorrentes documentadas e disponíveis à equipe e aos setores. O painel de indicadores reúne chamados abertos, tempo médio de resolução e distribuição por categoria, por unidade e por atendente, com exportação em CSV e PDF por período, e a comunicação registrada no chamado preserva o que foi tratado entre atendente e solicitante.

Para montar a base que recebe esses registros, veja base de conhecimento interna que a equipe usa. Para transformar o histórico em argumento de quadro e orçamento, veja indicadores de suporte para quadro e orçamento. Para organizar o registro de causa a partir dos chamados que a sua equipe já atende, entre em contato.

Dúvidas frequentes

Perguntas sobre este assunto

Como identificar que um chamado é recorrente?

Pelo agrupamento dos chamados encerrados por categoria, unidade de origem e equipamento envolvido, ao longo de um período. Recorrência aparece como repetição do mesmo agrupamento, e não como a impressão de que aquele assunto voltou.

Qual a diferença entre solução e causa?

A solução restabelece o serviço para aquele solicitante. A causa explica por que o serviço deixou de funcionar. Registrar apenas a solução resolve o chamado e mantém a origem intacta, o que produz o mesmo chamado semanas depois.

Onde a causa fica registrada?

No próprio chamado, em campo separado da solução aplicada, e na base de conhecimento quando o caso se repete. A base é o que permite que outro atendente reconheça o padrão sem ter atendido os chamados anteriores.

Toda recorrência exige investimento para ser resolvida?

Não. Boa parte se resolve com ajuste de processo ou capacitação da equipe da unidade, que custa horas. A recorrência que exige troca de equipamento ou contratação é a que precisa do registro acumulado para sustentar o pedido.

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